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Transição capilar: como você e sua empresa podem apoiar?

A transição capilar é o momento onde a mulher decide parar de usar produtos transformadores de fios e passa a usar seus cabelos naturais. Vem descobrir como apoiar uma miga nessa missão!

O que é a Transição Capilar? 

O termo passou a ser difundido há pelo menos dez anos, em grupos do Facebook e canais no Youtube por mulheres que começaram a se questionar uma dependência a produtos alisantes ou transformadores de fios. Quando decidiram cessar esse incômodo e deixar os cabelos naturais crescerem, depararam-se com outra questão: o hate entre o próprio ciclo de amigos, e até familiar. Fora o desconforto próprio por terem que lidar com a nova textura dos fios.  

Sendo assim, a internet se tornou um ponto de acolhimento desses relatos e de fortalecimento mútuo entre migas que estavam transicionando e aprendendo novas formas de cuidar dos cabelos. 

A transição capilar é um processo terapêutico de resgate de uma imagem a qual mulheres não vêem, muitas vezes, desde a infância.

É sobre aceitar-se 

E para nos aceitarmos, temos que, primeiramente, acolher dores e expor nossos desconfortos, certo? Se você pensa em transicionar, prepare-se para entrar numa jornada de descobertas e ressignificação. Se conhece uma miga que está passando por isso, incentive-a dizendo que aquele é só um período de sua vida, que apesar de difícil, trará resultados inenarráveis para a própria autoestima. 

“Essa fase da transição não é uma fase muito fácil. É complicado, porque é uma fase que sua autoestima pode ficar baixa. Você se olha no espelho e vê aquele cabelo com duas texturas e tal. Mas, eu já passei por isso e hoje eu sei que valeu muito a pena. Resolver assumir meus cachos foi uma das melhores coisas que já fiz na minha vida”

Ana Lídia Lopes em “10 dicas para quem está voltando aos cachos

Transição Capilar tem prazo?

Não existe período fixo para transicionar. Para fazer o BC (Big Chop/Grande Corte) é preciso se sentir confortável e pronta para conhecer uma nova versão de si mesma. A minha transição durou 13 meses e foi, sem dúvidas, onde percebi que a questão não se encontrava somente no meu cabelo, mas em toda a estrutura com a qual nunca me senti representada. Logo depois de cortar a parte alisada, me emocionei, pois, comecei a alisar os fios aos 7 anos.

transição capilar
Versões de mim aos 16, 18, 19 (dia do bc) e 23 anos. Depois do BC, cortei o cabelo outras vezes. Fonte: Arquivo Pessoal.

Marcas que entraram nesse segmento

Além da própria rede de apoio virtual, muitas marcas passaram por um remake comunicacional, tratando o cabelo ondulado, cacheado, crespo e crespíssimo como uma verdadeira coroa da mulher, principalmente da mulher negra que passa por outros processos de apagamento da própria identidade. 

Inclusive escrevi esse artigo para te mostrar o passo a passo da construção de produtos e serviços voltados a mulheres negras.

Portanto, miga, tanto você quanto seu negócio, podem fazer parte dessa transformação quando: 

  • Incentiva uma mulher preta a orgulhar-se de suas raízes;
  • Cria referências positivas de mulheres negras;
  • Apoia a liberdade de escolha (uma vez que nem todas as mulheres querem, de fato, passar pela transição);
  • Julga menos e apoia mais;
  • Não reforça esteriótipos racistas (pare AGORA se você chama um cabelo de “duro”).

Tornar esse processo mais possível e amoroso faz parte da sua missão, miga. Além disso, a transição capilar é uma (re)construção de identidade com mais verdade e entendimento próprio. Assim também, um ato de coragem e questionamento contra um padrão estético.

E aí, miga, como o seu negócio pode apoiar outra miga hoje?

Trazendo algumas reflexões para você repensar o empreendedorismo negro e suas práticas antirracistas. Mas, fica tranquila, miga... Eu também vou te ajudar nessa missão!

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