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Sororidade e Dororidade: entenda a diferença

Diferente da sororidade, que é um termo mais amplo onde uma miga acolhe a outra, na dororidade uma mulher preta acolhe a outra, pois possuem uma trajetória atravessada pela dor em comum (o racismo). Vem entender melhor, miga!

O racismo é, antecipadamente, uma violência estrutural que perpassa a vida da população negra. No Brasil, vem-se discutindo fortemente alternativas de acolhimento entre a própria população preta, num movimento de identificar-se e criar referências positivas sobre a própria existência.

Sororidade

A sororidade é um conceito feminista que representa o apoio entre mulheres. Nesse suporte existe um comprometimento na promoção de escuta ativa e sem julgamento entre mulheres, bem como um pensamento coletivo para identificar estratégias de criação de redes de apoio, como é o caso de coletivos feministas, os quais atuam em frentes diferentes promovendo ações que vão ao encontro da sororidade.

Dororidade

Vilma Piedade, mulher negra, pós-graduada em literatura brasileira e português, e uma ferrenha lutadora dos direitos das mulheres negras, espreme o conceito da sororidade, palavra derivada do termo em latim “sóror”, que significa irmã. A sororidade que significa uma relação de solidariedade, cumplicidade e cuidado entre mulheres, segundo ela, não dá conta das vicissitudes das mulheres negras. A nossa sociedade não consegue absorver de modo natural a presença dos corpos negros femininos fora dos lugares culturais e historicamente destinados para elas, e sua dor é completamente invisibilizada. As mães e mulheres que vivenciam a perda ou encarceramento dos seus filhos, maridos, irmãos ou companheiros, que sofrem as agruras afã violência obstétrica, são um bom exemplo disso.

Via Géledes

Ou seja, apesar de a dororidade não distinguir quais mulheres receberão suporte, é válido pontuar que, quando uma mulher preta acolhe a dor de outra, a lógica muda. São dois corpos com particularidades e vivências distintas, contudo, atravessados pelo racismo. O que Vilma Piedade traz em sua fala é a dura realidade vivida no cotidiano de milhares de mulheres pretas.

Eu mereço respeito/ Tradução livre

Violência enraizada

O racismo está, de antemão, impregnado na nossa forma de falar, agir e no imaginário construído desde a infância e que é, em suma, reforçado durante toda a nossa vida. Isso significa que, ao pensarmos sobre corpos negros, algumas “informações”, parecem estar pré-estabelecidas, como um pré-conceito, todavia de forma violenta, estigmatizante, desumano e excludente.

A cor da dor: iniquidades raciais na atenção pré-natal e ao parto no Brasil” é uma pesquisa que comprova como mulheres negras sofrem mais no parto – pelo mito de que são mais fortes.

“Mulheres pretas têm quadris mais largos e, por isso, são parideiras por excelência”, “negras são fortes e mais resistentes à dor”. Percepções falsas como essas, sem base científica, foram ouvidas em salas de maternidades brasileiras e chamaram atenção da pesquisadora Maria do Carmo Leal, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Via: ABRASCO – Associação Brasileira de Saúde Coletiva

Como podemos mudar esse cenário?

Nosso papel é, primeiramente, trazer mais informações para que você, empreendedora, entenda em qual cenário atua e para quem está produzindo seus serviços e produtos. Contudo, se você for uma mulher preta, além de já entender bem como esse cenário se dá, saiba que aqui é um espaço onde estamos, aos poucos, trazendo discussões e ampliando nossas bolhas normativas e brancas. Eu sou uma mulher preta e escrevo para que você se sinta acolhida e segura!

Fale sobre isso com a sua comunidade

A proposta de criar em bando é justamente provocar, ensinar e compartilhar novas experiências, certo? Portanto, nada mais justo do que levar assuntos como sororidade, racismo, diversidade e inclusão para as suas migas.

Compreender sem julgar

Em suma, se existe dororidade, é porque mulheres pretas precisam compartilhar, em rede, as dores e delícias do próprio viver. Neste texto escrevi sobre como é o empreendedorismo para mulheres pretas. É uma percepção pessoal, contudo, percebo que outras amigas negras passam pelas mesmas situações.

Estamos juntas

E seguiremos assim. Dentro do empreendedorismo, existe espaço para falarmos sobre todos os b.os pelos quais passamos. Se você percebe os próprios privilégios, qualquer discussão fica mais respeitosa e acolhedora.

Dito isso, miga, vale reforçar… Abrace uma causa, mesmo que não seja você a protagonista dela.

Trazendo algumas reflexões para você repensar o empreendedorismo negro e suas práticas antirracistas. Mas, fica tranquila, miga... Eu também vou te ajudar nessa missão!

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