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Será que eu sou uma impostora?

Oi Impostora, estou falando contigo. A chance de você já ter se sentido assim em algum momento da vida é grande. Provavelmente você até já ouviu falar sobre Síndrome do Impostor ou Síndrome da Impostora, mas ainda não entendeu direito o que é isso e o mais importante: como lidar com ela. Hoje nossa conversa é sobre isso.

Afinal, o que é Síndrome da Impostora?

Primeiro, acho importante você saber que ela não é uma síndrome comprovada cientificamente, mas ela vem sendo mais estudada nos últimos anos, afinal, na prática, muita gente afirma já ter passado por isso.

Síndrome da Impostora não é novidade: o termo “Impostor Phenomenon” foi utilizado pela primeira vez em 1978 pela Pauline Rose Clence, ela é autora e escreveu um livro chamado “The Impostor Phenomenon: Overcoming the Fear that Haunts Your Success”.

Fizemos uma mini pesquisa para entender melhor sobre assunto com várias Moving Girls. O formulário foi divulgado nas redes sociais da Moving e vamos conversar sobre os resultados, entendendo, na prática, a partir do relato de várias migas como ela funciona. Inclusive, muito obrigada a cada uma que respondeu.

Primeiramente, vamos entender quem são as migas que participaram: a maioria das migas (36,8%) que responderam têm entre 18 e 24 anos e 33% tem entre 25 a 30 anos, sendo que dessas um pouco mais de 50% já tem pelo menos a graduação completa.

70% das migas que responderam a nossa pesquisa se sentem assim pelo menos 1 vez por semana! Sim, 70%, eu fiquei impactada quando vi e imagino que você também, porque é uma daquelas sensações que provavelmente você achava que só você sentia. Inclusive várias mulheres que são referência em suas áreas, como Maya Angelou, já relataram se sentir assim em alguns momentos.

O que é Síndrome da Impostora pra você?

A maioria das migas relaciona com autossabotagem, incapacidade de reconhecimento de si mesma, duvidar de si e de suas capacidades, não ser “boa o suficiente” e insegurança constante.

“Sentir que serei “desmascarada” a qualquer momento e descobrirão que sou uma farsa por sentir que não mereço/não sou capaz de feitos incríveis.”

mulher usando máscara síndrome da impostora
Quando vão me desmascarar?

Acreditar que em algum momento alguém vai descobrir que você não é aquilo que diz ser, se achar muito menos do que realmente é, ter a sensação de que está sendo falsa ou escondendo algo. Sentir que não é merecedora do lugar que conquistou, por mais que se empenhe; ou que nunca é boa o suficiente; que não merece; que a qualquer hora vão descobrir que na verdade você não sabe de nada. Essas são as principais sensações relacionadas ao que conhecemos como Síndrome da Impostora.

Muitas vezes relacionamos Síndrome da Impostora com trabalho ou estudo, mas ela não se limita a essas áreas e acaba afetando toda a vida.

Aprender a reconhecer sentimentos

Um dos primeiros passos pra lidar com esses sentimentos é reconhecê-los, incluindo reconhecer como essa síndrome se materializa pra você.

“É um fantasminha que está em todos os lugares me dizendo que eu não sou capaz”

fantasma síndrome da impostora

Entenda que você não é o que você sente, se separe disso e comece a ver esse fantasminha falando tudo isso para você. É importante prestar atenção em quais são esses sentimentos: medo, insegurança, ansiedade, frustração, raiva, tristeza… são sentimentos diferentes e é perfeitamente normal sentir todos eles. Dê espaço para esses sentimentos passarem por você, se permita sentir.

“Observo sem julgamento. Não me afeta muito porque aprendi a me separar, a não me identificar com os pensamentos.”

Observar te permite reconhecer como a síndrome da impostora aparece em você.

Você é uma fraude em que mesmo?

Em vez de tentar sair correndo, que tal ouvir esses pensamentos com atenção. Especifique em quais tarefas você não se considera qualificada. Por que exatamente você é uma fraude? Muitas vezes é mais difícil do que parece encontrar essa resposta. E outro ponto é que você não é uma fraude por não ser boa em tudo, pelo contrário, isso é ser humana. Digamos que você chegou à conclusão de que não é boa mesmo em determinada atividade, mas você precisa ser? Não caia no erro de trabalhar 24/7 para tentar compensar isso.

Autossabotagem e Procrastinação

A autossabotagem está presente na vida de muitas impostoras por aí e a procrastinação também pode ser uma forma de se sabotar.

“A mulher que se acha menos capaz ou não merecedora de ocupar o cargo ou função que tem a capacidade de executar, que duvida de seu potencial ao ponto de recuar para executar uma atividade, assumir um cargo de liderança ou superar um desafio recusando ou “travando” ou até mesmo executando mas se criticando excessivamente”

“É quando você sabe o que precisa fazer, tem inteligência pra isso, mas não faz por medo por não se sentir capaz. Eu por exemplo tenho muito a ensinar mas sempre fico na dúvida: será que sou boa o suficiente? Uma voz interior que tenta me derrubar o tempo todo. Vou procrastinando e não tomo as atitudes pra crescer”

Algumas vezes esse sentimento é tão intenso a ponto de recusar cargos, não se candidatar a vagas de trabalho e nem tomar atitudes importantes por não se achar boa o suficiente pra isso.

Quem é você pra falar sobre isso?

Infelizmente, essa foi uma resposta comum na nossa pesquisa, mas ela se relaciona com muito mais do que o individual. Vamos pensar um pouco juntas sobre o contexto histórico no Brasil: em 1962, surgiu a lei que garantiu que mulheres não precisavam mais da autorização do marido para trabalhar, lei conhecida como “Estatuto da Mulher Casada”. Em 1979, mulheres foram autorizadas a praticar qualquer esporte e só em 1980 as Forças Armadas passaram a aceitar mulheres. Se a gente não podia exercer tantas atividades, quem dirá falar sobre algo, né? Mas você pode (e deve) falar sobre o que você quiser, miga!

Sorte? Não.

“Mesmo tendo passado em primeiro lugar em um mestrado no exterior, sinto como se tivesse sido sorte.”

Não miga, não foi sorte. Você não caiu de paraquedas onde está hoje, você percorreu um longo caminho que te levou até esse lugar. Valide a sua história e relembre do seu caminho sempre que necessário. Inclusive quando alguma miga tiver esse papo com você, lembrem juntas que não é sorte não, foi muito trabalho envolvido.

“Sinto até hoje que consegui porque tive ajuda dos outros e não foi mérito meu.”

Não foi sorte e também não foi por causa dos outros. Lembra do discurso da Anitta no Rock in Rio? Você também pode agradecer em primeiro lugar a você mesma.

Autocompaixão e Autocuidado

Você falaria com outra pessoa da mesma forma que você fala com você mesma? Algumas migas relacionaram a Síndrome da Impostora com com “ser sua própria inimiga”. Aprender a cultivar uma relação mais saudável e ser gentil com você mesma é necessário.

autocuidado síndrome da impostora

Olhe com carinho para as suas experiências, incluindo seus projetos, habilidades e problemas que você já resolveu. Tudo isso são fatos, enquanto por outro lado seus pensamentos são apenas pensamentos.

Como as migas lidam com isso

Várias migas contribuíram na nossa pesquisa compartilhando como lidam com a Síndrome da Impostora e eu separei as principais:

  • “Penso ‘eu sei fazer, não precisa estar perfeito’ “;
  • “Procuro entender que tudo o que fiz me trouxe até aqui, e não foi algo ‘por acaso’. É um esforço diário, 7 dias por semana, pra alcançar o que estou alcançando”;
  • “Me forço a fazer o que precisa ser feito mesmo com medo”;
  • “Às vezes peço socorro às amigas e escuto palavras de confiança”;
  • “Parei de ver o trabalho dos concorrentes, me convenci de que sou boa e aceito todos os elogios que recebo e as críticas também”;
  • “Fico off do digital”;
  • “Hoje, quando ela surge, me trato com carinho, atenção plena e autocompaixão”;
  • “Faço meu belo skincare e olho os elogios que as pessoas fazem ao meu trabalho, vejo que sou boa no que faço e se tô com medo de fazer algo vou com medo e que se dane”;
  • “Respirando fundo, dizendo pra mim mesma o quanto sou fod* e tudo que já fiz até aqui, e também digo que caso eu não saiba alguma coisa eu tenho o Google”;
  • “Eu respiro, tomo um chá ou alguma outra bebida, me desligo um pouco do que estou fazendo, faço exercício físico, não converso com pessoas tóxicas que causam mais ainda esse desestímulo. Na quarentena foi muito bom pra me afastar de parentes malas”;
  • “Aprendi que ter um momento pra não trabalhar até de olhos fechados é parte importante do processo, mas pra quem empreende e quer fazer mil coisas é uma educação pessoal chegar nesse ponto. Tem uma frase que amo que diz que passamos a maior parte do tempo na nossa cabeça, então precisamos nos certificar de que ela é um bom lugar para se estar”.

Terapia

“A bola de neve se desfez quando eu entendi que mesmo sendo incrível demais, tudo bem pedir ajuda pra fazer o meu negócio andar.”

É claro que eu não ia terminar esse texto sem falar em terapia, mas dessa vez não sou só eu que estou falando. Além das dicas acima, várias migas também falaram sobre terapia. Mas quase metade das migas responderam algo como “não lido kkkrying”. Se você tá no time das que sofre com isso, mas não consegue lidar sozinha, por que você não dá uma chance pra terapia? Busque uma psi que possa te ajudar a entender isso e criar suas próprias estratégias pra lidar.

Mulher falando "busque um profissional".
Fale com um profissional, busque ajuda.

“Hoje, após um longo processo de psicoterapia, consigo me tratar com autocompaixão e lidar com esses sentimentos quando surgem, sem deixar que tomem conta de mim.”

“Aprendi a lidar fazendo terapia e aceitando que tenho ainda um caminho para percorrer.”

Miga, você não está sozinha. Agora é hora de colocar em prática essas dicas: pergunte-se qual pequena ação você pode fazer ainda hoje pra lidar 1% melhor com essa impostora?

Não deixe essa conversa terminar aqui, quanto mais se fala sobre isso, mais o monstro parece menor, mais apoio a gente pode receber e dar a outras migas.

Se cuida, miga. <3

Uma psi descomplicando a saúde mental & falando sobre autocuidado, autoconhecimento e todos os outros auto's que só você pode fazer por você. Empreendendo 100% digital com terapia online e mentoria para outras psis. Sou psicóloga clínica (CRP 12/15901), especialista em Terapia Cognitivo Comportamental.

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