Top
Outubro rosa

Outubro Rosa: como se envolver efetivamente nessa causa?

Já estamos acostumadas a ver os monumentos do mundo inteiro iluminados pela cor rosa quando o mês de outubro se inicia, e parece que em um piscar de olhos os laços pink invadem outdoors, vitrines e também a internet, o que marca fortemente o início das campanhas de Outubro Rosa.

O principal objetivo dessa onda cor de rosa é chamar a atenção da sociedade a respeito da realidade atual do câncer de mama no mundo, mas de onde veio esse costume de pregar um laço na roupa e colorir as cidades de rosa, e de que forma isso contribui para essa campanha?

Promessa entre irmãs

Primeiramente, vamos te contar como tudo começou. Esse movimento surgiu a partir da história de Susan Goodman Komen, que foi diagnosticada com câncer de mama em 1977, quando tinha 33 anos, e após 3 anos de tratamento faleceu em consequência da doença. A irmã mais nova de Susan, Nancy Goodman Brinker, fez uma promessa à irmã de que faria tudo que pudesse para acabar com o câncer de mama, e para cumprir o prometido, Brinker criou a Fundação Susan G. Komen for the cure, que hoje é a maior organização de câncer de mama do mundo.

Nancy G. Brinker e sua irmã Susan G. Komen. Outubro Rosa
Nancy G. Brinker e sua irmã Susan G. Komen. Foto: Divulgação

A primeira ação da Fundação foi a corrida pela cura (Race for the Cure), que aconteceu em 1991 em Nova Iorque, onde os laços cor de rosa foram distribuídos pela primeira vez e que depois disso passaram a ser um símbolo do movimento. Mas somente a partir de 1997, que outras cidades americanas passaram a fomentar ações voltadas à prevenção do câncer de mama também no mês de outubro, iniciando uma enorme campanha que hoje em dia além de ser um movimento oficial, também é mundialmente conhecido por todas as ações que acontecem para conscientizar a sociedade. Hoje a ação é considerada o maior evento de caminhada e corrida do mundo na luta contra o câncer de mama.

Komen Race for the Cure de 1991, em Nova York. Outubro Rosa
Komen Race for the Cure de 1991, em Nova York. Foto: Divulgação

Como o Outubro Rosa foi criado

“Quando começamos, não podíamos sequer dizer ‘seio’ nos meios de comunicação, nem mesmo na televisão pública […]”. As pessoas também não queriam falar de câncer de mama.”

Nancy Brinker

A campanha de Outubro Rosa foi criada em um momento onde o espaço da mulher na sociedade e na mídia eram mínimos, e por isso abordar assuntos relacionados ao corpo e a sexualidade eram estritamente proibidos e mal vistos pela sociedade machista, o que atrapalhava muito o objetivo de alertar as pessoas a respeito da doença, ainda que o número de mortes em decorrência do câncer de mama fosse enorme e as possibilidades de tratamento mínimas.

“Decidi então pensar num modo de transmitir mensagens convencionais de maneiras não convencionais […] Às vezes, discutíamos os efeitos colaterais e os resultados de vários tratamentos, ou então, participávamos de programas de esporte em que havia mulheres e tentávamos introduzir alguma coisa sobre câncer de mama. Pedíamos aos produtores de novelas que fizessem alusão à doença na história […] Conseguimos que algumas celebridades atraentes comentassem o assunto — talvez alguém que tivesse tido câncer de mama na família, mas sempre alguém que soubesse se expressar bem. Era um esforço em todas as frentes.”

Nancy Brinker

Por que usar rosa?

Nancy Brinker em uma das edições da Race For Cure
Nancy Brinker em uma das edições da Race For The Cure. Foto: Divulgação

A cor rosa era a preferida de Susan, e foi utilizada pela iniciativa de sua irmã não só como uma homenagem, mas também como estratégia para inserir de forma suave e até velada, um tema que era considerado tabu, e que por consequência disso prejudicava muito a detecção precoce do câncer e a sobrevida de inúmeras mulheres. 

O trabalho de formiguinha foi tão inteligente e efetivo que os resultados podem ser vistos ainda nos dias de hoje, quando grande parte do mundo consegue associar que o mês de outubro é rosa por conta da conscientização sobre o câncer de mama.

As campanhas precisam se atualizar

A verdade é que muita coisa mudou no mundo desde o início das campanhas inauguradas pela Fundação Susan G. Komen anos atrás. O mês ganhou uma cor, a causa ganhou visibilidade e muito se investiu em pesquisas e tratamentos desde então, mas ainda que tenhamos outras organizações e instituições criando ações e campanhas, ainda que possamos falar mais abertamente sobre o tema e ainda que tenhamos maior adesão da sociedade e de grandes empresas, o câncer de mama continua sendo uma das principais causas de morte de mulheres no mundo.

Todas sabemos que estamos vivendo em uma nova geração no que diz respeito ao avanço da ciência e da tecnologia, e isso acabou mudando tanto o comportamento das pessoas que os índices relacionados ao câncer de mama e o perfil das pacientes também mudaram. Antes a incidência de câncer de mama em brasileiras com menos de 35 anos ficava em torno de apenas 2% dos casos, e hoje o número está entre 4% e 5% dos casos nessa faixa etária.

Tomar consciência desse novo cenário exige que a forma de comunicação das campanhas de Outubro Rosa também seja atualizada. Os termos e linguagens precisam ser urgentemente adaptados, principalmente aqueles que se referem às pacientes como vítimas e fazem alusões ao tratamento como um combate. Tratar a doença como uma guerra é algo injusto com quem passa por isso, e acaba também aumentando o temor e pânico da sociedade sobre o câncer, o que prejudica na conscientização da prevenção e da importância do diagnóstico precoce.

“Não quero que as pessoas se sintam como se tivessem fracassado. Fomos criticados por causa disso, mas o linguajar que usamos é dirigido a uma geração diferente. As pacientes querem se sentir mais importantes para si mesmas e para sua família. Elas têm mais poder de decisão e mais instrução do que as mulheres dos primeiros tempos da instituição.”

Nancy Brinker

Como empreendedoras e gestoras podem se envolver efetivamente?

Apesar de muitas pessoas não lidarem tão bem com o tema e muitas vezes se sentirem desconfortáveis, PRECISAMOS FALAR SOBRE CÂNCER. É impossível conscientizar uma sociedade que escolhe ignorar o problema por medo, mas é preciso saber o que falar e como falar!

Em primeiro lugar, enquanto empreendedoras e gestoras, somos efetivas quando escolhemos a melhor e mais aberta comunicação possível, porque em terra de fake news quem compartilha a verdade dorme com a consciência tranquila. E além de verificar a fonte das informações, precisamos trazer conteúdos acessíveis a todos os tipos de público.

Os números alarmantes de mortalidade do câncer de mama, que normalmente introduzem as campanhas e justificam a participação das empresas e marcas, precisam ser contextualizados. Se o objetivo é não criar pânico, o melhor a fazer é falar sobre o que podemos fazer para reduzir a mortalidade e como o diagnóstico precoce é a solução, porque levam a chance de cura para 95%. Mas não adianta incentivar as mulheres a fazerem os exames de rotina nas redes sociais se não damos folga para as funcionárias quando elas precisam ir ao médico, hein?!

Se existem maneiras de minimizar os riscos de desenvolver o câncer de mama, isso precisa ser amplamente compartilhado e bem justificado. As mulheres precisam entender que quando se fala na importância de manter hábitos saudáveis, estamos falando em reduzir em 30% a chance de desenvolver esse tipo de câncer. Não podemos jogar a bomba e sair fora, porque não se trata de doutrinação, queremos que as mulheres criem consciência sobre a própria saúde.

Histórias de superação são sempre muito bem vindas! Tudo que é baseado em fatos reais ajuda a gerar identificação com o público. Então, compartilhar histórias de mulheres que descobriram o câncer e se curaram, pode ajudar outras mulheres a se colocarem naquela situação, despertando assim mais atenção e cuidado à própria saúde. Contratem palestras, bate papos e conteúdos de pacientes empreendedoras e estimulem a troca de experiências.

Quem escreveu esse post?

Miga, esse post especial foi escrito em parceria com a Roberta Perez, fisioterapeuta e empreendedora na Vai Por Mim. Ela descobriu um câncer de mama aos 27 anos e decidiu viver além da doença. Deixou a carreira de fisoterapeuta hospitalar para trabalhar com empreendedorismo social e descobriu na causa do câncer seu propósito de vida.

Roberta teve o câncer de mama sem histórico familiar, sem genética e sem imaginar que algo assim pudesse acontecer antes dos 30. Em meio à sessões de quimioterapia, decisões sobre fertilidade e mastectomia, ela descobriu que poderia ser protagonista da própria história e começou a compartilhar sua jornada de paciente ativa e responsável pela própria saúde.

Maravilhosa, né? Sem dúvida alguma, uma fucking moving girl!

Por fim, queremos reforçar que já passamos do tempo de ficar falando apenas de autoexame e vestir camiseta rosa às quartas-feiras. Nos aprofundar nessa causa permite que a gente tome as rédeas da nossa própria saúde, e participar verdadeiramente dessas campanhas de Outubro Rosa ajudam a honrar a vida de Susan G. Komen, que fez com que o mundo se unisse no combate ao câncer de mama.

Oi, miga! Esse é o perfil que criamos conteúdo para o blog.

Publique um comentário