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Construindo Narrativas Negras: Histórias para além da dor

Miga, é hora parar de falar sobre pessoas negras partindo, primeiramente, do contexto de escravidão. Nesse contexto, construir narrativas negras é, de antemão, contar histórias para além da dor. 

Desde já, um dos exercícios mais caros para a nossa comunicação é falar sobre a população preta sob o viés do esplendor, assim como da riqueza e, sobretudo, da multiculturalidade. Contudo, também compreendemos que esses referenciais não são difundidos desde a base educacional do país. Hoje, com a Lei 11.645/2008 (que trata da obrigatoriedade da História e cultura africana, afro-brasileira e indígena em todo o currículo escolar), o desafio se amplia para entendermos sob qual viés a cultura africana será tratada nesse espaço.  

É o jeito como contamos a história

Do mesmo modo, fazer comunicação antirracista é ter responsabilidade sobre o que contamos e promover o debate do racismo estrutural, bem como reforçarmos narrativas e imaginários com outro viés da história negra no mundo.

O que isso quer dizer?

Miga, você se lembra de “Pantera Negra“? Logo depois do lançamento, foi um choque, para alguns, ver no mainstream um lugar (Wakanda) autônomo, com personagens independentes, assim como conflitos próprios. Um marco cinematográfico em riqueza de detalhes, como também em protagonismo feminino. 

Sob o mesmo ponto de vista, o Afrofuturismo é um movimento que surgiu na década de 60, trazendo elementos audiovisuais que conectam a cultura, riqueza e passado de uma forma singular e linda!

Histórias para além da dor são Afrofuturistas

E elas podem, em outras palavras, nos mostrar:

  • Um novo mundo, onde pessoas pretas possuem multipotências e talentos
  • Que o racismo não é o centro, nem o princípio. A narrativa principal está ligada a contextos que envolvem afeto, autovalorização e orgulho cultural;
  • Histórias ricas: em elementos que não conhecemos e que enriquecem nosso imaginário;
  • Culto ao sagrado: valorização do lugar de origem e de práticas ancestrais;
  • Posicionamento político: sim, miga. Produzir imagens e histórias sobre um futuro não marcado pela exploração é uma forma de posicionar-se politicamente. 

Indicação da Moving

Ano passado assisti a “Love, Death & Robots, uma produção meio “pós-apocalíptica”, com episódios independentes envolvendo tecnologia e relações humanas de forma muito única. Recomendo, especialmente, o ep. 14: Zima Blue. Dito isso, não vou nem dar spoiler, miga.

Se você curte Arte e Black Mirror, com certeza vai adorar esse episódio! 

Love, Death & Robots. Ep. 14: Zima Blue

Quem fala e faz Afrofuturismo

Apesar disso, se você ainda não tiver referências reais, te apresentamos Morena Mariah, criadora na plataforma de educação Afrofuturo, que além de atuar como pesquisadora na rede mundial Torus, é integrante do Global Shapers, programa do Fórum Econômico Mundial para jovens.

Nesse sentido, Morena traz debates essenciais sobre a construção das novas narrativas para o corpo negro, dialogando com as produções contemporâneas.  

Trazendo para a sua realidade 

Então, nessa de falar sobre Afrofuturismo, não podemos esquecer das intuições e afetos. Rosane Borges faz uma discussão sobre “Imaginários”, questionando os lugares que o corpo negro ocupa na memória brasileira. 

Quando você pensa em mulher negra, quais são as características associadas de imediato? Você consegue imaginar um ser humano composto por afetos, histórias e sonhos? Essa mulher ocupa que lugar na sociedade? Logo, é para esse serviço que vem o papel da comunicação antirracista. 

Em resumo, é sobre ressignificar histórias e transgredir a dor. E aí, pronta para esse desafio?

Trazendo algumas reflexões para você repensar o empreendedorismo negro e suas práticas antirracistas. Mas, fica tranquila, miga... Eu também vou te ajudar nessa missão!

Deixe-nos um comentário, miga!